Como Investir em Short Stay: Alternativa Rentável ao Aluguel Tradicional no Mercado Imobiliário Brasileiro
Em um cenário de juros ainda elevados e maior seletividade por parte dos investidores em relação a ativos fora do universo da renda fixa, a diversificação segue como um dos principais pilares de construção de patrimônio no longo prazo.
Para quem já possui uma carteira estruturada e com diversas classes de ativos, o mercado de imóveis voltados ao aluguel por temporada — o chamado short stay — surge como uma alternativa complementar relevante, combinando renda recorrente, rentabilidade, em geral, superior ao de imóveis para locação tradicional, potencial de valorização e a segurança da propriedade do ativo físico.
Diferentemente, por exemplo, dos FIIs, em que o investidor está exposto a uma maior volatilidade de mercado, o short stay permite retorno direto sobre o imóvel, com ganhos que podem chegar a até 16%-20% ao ano (atraentes, mesmo, diante de uma Selic nos níveis atuais, de 15%) dependendo de fatores como localização, tipo de produto e eficiência da operação. Trata-se, portanto, de uma estratégia que une geração de caixa e preservação patrimonial.
O primeiro ponto crítico está na escolha do município. Cidades já consolidadas no mercado de turismo (casos de Florianópolis, Foz do Iguaçu e Fortaleza, por exemplo) oferecem demanda consistente ao longo do ano.
Ao mesmo tempo, destinos emergentes com forte apelo de natureza, como Anitápolis, na Serra Catarinense, vêm ganhando espaço por atrair um público disposto a pagar mais por experiências diferenciadas.
Dentro desses mercados, a localização específica faz toda a diferença: imóveis pé na areia (nas cidades do litoral), próximos a atrações turísticas ou com fácil acesso a serviços tendem a apresentar taxas de ocupação mais elevadas e, portanto, menor sazonalidade.

O segundo fator determinante é o tipo de imóvel. Na lógica do short stay, apartamentos compactos, especialmente os de um dormitório, costumam apresentar melhor relação entre investimento inicial, liquidez e rentabilidade.
Além disso, condomínios excessivamente sofisticados, com itens pouco utilizados pelo hóspede, elevam o custo fixo e reduzem esse retorno líquido. Eficiência, portanto, é a palavra de ordem.
Por fim, a gestão profissional é decisiva. Uma operação especializada garante não apenas a preservação do imóvel, com menor deterioração, mas também uma experiência superior ao hóspede — desde a precificação até a recepção, a limpeza e o atendimento.

Avaliações altas em plataformas como Airbnb e Booking impactam diretamente a ocupação e a diária média, criando um ciclo virtuoso de rentabilidade.
Ao incorporar o short stay à estratégia, o investidor amplia sua exposição ao mercado imobiliário de forma inteligente, equilibrando risco, retorno e controle do ativo.
Em um portfólio diversificado, trata-se menos de substituir os FIIs e mais de complementar a carteira com um ativo real, dinâmico e alinhado às novas formas de consumo e turismo.

Monica Medeiros, é Sócia e CCO da Seazone, maior gestora de imóveis de short stay do Brasil, com mais de 2,7 mil imóveis administrados. Advogada e mestre em Direito pela UFSC.
