Missoni Outono Inverno 2026: Tradição Têxtil e Permanência Criativa na Milano Fashion Week
A coleção apresentada em Milão reforça identidade, continuidade e sofisticação estrutural
Apresentada durante a Milano Fashion Week, a coleção Outono Inverno 2026 da Missoni reafirma a solidez criativa da maison italiana sob a direção de Alberto Caliri.
Em um calendário internacional marcado por estreias e mudanças estratégicas nas grandes casas europeias, a Missoni opta por aprofundar seus próprios códigos, consolidando uma linguagem que evolui sem ruptura.
A apresentação em Milão evidenciou um momento de maturidade estética. Mais do que propor impacto imediato, a marca enfatiza construção, textura e coerência narrativa.


O desfile reforça a centralidade da malharia como eixo identitário, explorando volumes, sobreposições e variações tonais que dialogam diretamente com o legado histórico da casa.
Missoni como atitude e o diálogo entre masculino e feminino
Missoni como atitude: uma maneira espontânea de abordar o ato cotidiano de se vestir, seguindo a intuição e o instinto, escrevendo as próprias regras, reunindo elementos que pertencem a universos distintos, mas que, quando “misonificados”, se encontram em harmonia.


Essa dimensão real, uma sublimação do cotidiano, é a assinatura de Alberto Caliri, uma narrativa que se expande organicamente estação após estação, escapando da urgência do novo a qualquer custo.
Refletindo uma marca e uma estética inventadas por um casal, o diálogo, que é em última instância, fusão e confronto, entre o masculino e o feminino é outra característica marcante, que nesta coleção se torna dominante.


A mulher Missoni passa a vestir-se como um homem, apropriando-se de peças de seu guarda-roupa e usando-as tal como são, sem renunciar à sua outra essência, sinuosa e luminosa.


Volumes, silhuetas e construção da imagem
De um lado, surgem os amplos casacos com martingale, blusões de forte presença, jaquetas de shearling, blazers com colarinhos pontiagudos bem definidos, calças plissadas e bermudas largas de couro marcadas por cinto — clássicos sólidos e burgueses reinterpretados em novos volumes.


Do outro, vestidos midi com parte superior mais solta que depois se ajustam e definem a silhueta, revelando sutis lampejos metálicos.
Unificando tudo, aparecem longos cachecóis, golas amplas, pequenas estolas de tricô, chapéus que transitam entre o estilo marinheiro e o newsboy, scarpins e botas de cano curto sem salto.


O “Missonismo”, entendido como a fusão de padrões e cores, agora explora a ideia de policromia monocromática.
Diferentes nuances de uma mesma cor se misturam em escalas tonais, atraindo o olhar e convidando à descoberta, enquanto texturas e detalhes fazem a diferença, revelando a vibração de geometrias tridimensionais.


A paleta gira em torno de notas orgânicas de marrom, tabaco, ocre, conhaque, leite e azul intenso, enquanto xadrezes e motivos fiammato se alternam com o ritmo claro das listras verticais.
A maneira Missoni se revela por meio de sobreposições, envolvimento e mistura, sem jamais esquecer o corpo, sua energia e seu caráter.


Continuidade criativa, alfaiataria e o novo luxo da permanência
Ao expandir o discurso apresentado no release, percebe-se que a coleção não se ancora em tendências efêmeras, mas em refinamento estrutural.
Alberto Caliri parte da herança têxtil da Missoni e a conduz a uma evolução silenciosa, onde a malha deixa de ser apenas superfície decorativa e passa a assumir função arquitetônica.


A tridimensionalidade mencionada no texto oficial manifesta-se na construção dos tecidos: combinações de fios com torções distintas, variações de densidade e efeitos de profundidade que criam relevo visual.
O tradicional motivo fiammato surge reinterpretado, menos exuberante e mais controlado, dialogando com geometrias verticais e padronagens contidas.


A apropriação do guarda-roupa masculino não resulta em neutralização de gênero, mas em ampliação de repertório. Os blazers de colarinho pontiagudo, as calças amplas e as bermudas de couro estruturam a silhueta com precisão.
Ao mesmo tempo, vestidos midi aderentes preservam fluidez e brilho, criando tensão entre estrutura e movimento.
Essa alternância estabelece um equilíbrio sofisticado: volumes amplos contrastam com linhas que acompanham o corpo, enquanto a sobreposição reforça a sensação de envolvimento e proteção, característica recorrente na narrativa da maison.


Os tons terrosos — tabaco, conhaque, ocre — evocam elegância atemporal e remetem a uma estética quase burguesa, reinterpretada em novas proporções. O azul intenso surge como ponto de contraste, quebrando a uniformidade tonal e criando foco visual estratégico.
A monocromia, longe de ser minimalista, é construída em múltiplas camadas de nuances, ampliando profundidade e densidade estética.


Em um cenário global que frequentemente privilegia impacto imediato e renovação acelerada, a Missoni reafirma que seu verdadeiro diferencial está na permanência de seus códigos.
A coleção Outono Inverno 2026 não busca ruptura; ela aprofunda identidade. Tradição e contemporaneidade coexistem em uma proposta que valoriza textura, construção e coerência.
O resultado é uma coleção que transforma legado em atualidade estruturada, mantendo o corpo — sua energia e seu caráter — como centro da narrativa estética da maison.





