CHANEL transforma contos de fadas em Alta-Costura na coleção Outono-Inverno 2026/2027
Inspirado por um raro livro encontrado na biblioteca de Gabrielle Chanel, Matthieu Blazy apresenta uma coleção que une fantasia, artesanato e a essência da Maison em um dos desfiles mais simbólicos da temporada.
Poucas semanas após assumir uma nova fase criativa na CHANEL, Matthieu Blazy apresentou sua segunda coleção de Alta-Costura para a Maison durante a Semana de Alta-Costura de Paris.
Mais do que revelar uma nova sequência de looks, o estilista belga propôs uma narrativa que conecta o legado de Gabrielle Chanel à imaginação dos contos de fadas, transformando a passarela em um universo onde tradição, fantasia e excelência artesanal caminham lado a lado.


Batizada de “Gaby e o Pé de Feijão”, a coleção nasceu a partir de uma descoberta feita pelo próprio Blazy na biblioteca do apartamento de Gabrielle Chanel: um exemplar de Les Fées, contes des contes (“As Fadas, Contos dos Contos”).


O livro despertou uma reflexão sobre a vida da fundadora da Maison e levantou uma questão que guiou todo o processo criativo: seria possível criar roupas capazes de contar histórias da mesma forma que um livro?
A resposta veio em uma coleção que transforma a alta-costura em uma experiência narrativa. “Eu criei a minha vida porque a minha vida não me agradava”, escreveu Gabrielle Chanel em uma das frases mais emblemáticas de sua trajetória. Para Blazy, essa declaração sintetiza uma mulher que reinventou o próprio destino, tornando-se a heroína do seu próprio conto de fadas.
Um jardim entre o encantamento e o mistério
O Grand Palais foi transformado em um cenário imersivo, tomado por trepadeiras, vegetação exuberante e flores de aparência venenosa. A cenografia conduziu os convidados por uma atmosfera que oscilava entre o encantamento e o desconhecido, refletindo a proposta criativa da coleção.


Entre os presentes estavam nomes como Tilda Swinton, Lupita Nyong’o, Catherine Deneuve e Pedro Pascal, todos vestidos com criações da Maison e testemunhando um desfile que explorou referências a clássicos como João e o Pé de Feijão e Cachinhos Dourados e os Três Ursos.
Segundo Matthieu Blazy, os contos de fadas sempre carregam uma dose de inquietação. Essa dualidade inspirou a criação das chamadas “flores tóxicas de Gabrielle”, um elemento recorrente na coleção que substitui a delicadeza convencional por uma beleza marcada pelo contraste.
O clássico tailleur ganha uma nova interpretação
O desfile começou com uma releitura de um dos maiores símbolos da CHANEL: o tailleur de tweed. Em vez da estrutura tradicional, Blazy apresentou uma versão confeccionada em delicada guipure combinada com transparências de musselina de seda, criando um efeito leve e quase etéreo.


A modelo carregava o mesmo livro encontrado na biblioteca de Gabrielle Chanel, estabelecendo imediatamente a conexão entre literatura e moda. A partir desse momento, a coleção passou a revelar pequenas narrativas escondidas em cada detalhe.
Botões transformavam-se em cisnes, bolsas assumiam formas inspiradas em personagens de contos de fadas e trepadeiras surgiam discretamente bordadas sobre vestidos, casacos e acessórios. Até mesmo os forros das peças receberam pinturas e detalhes pensados para serem descobertos apenas por quem as veste, reforçando a relação íntima entre a alta-costura e sua cliente.


Artesanato como protagonista
Embora o universo fantástico conduza a narrativa, o verdadeiro protagonista continua sendo o trabalho artesanal.


Os tradicionais ateliês de Alta-Costura da CHANEL atuaram em conjunto com os artesãos do le19M, complexo criado pela Maison para preservar alguns dos mais importantes ofícios da moda francesa, reunindo especialistas em bordado, plissado, chapelaria, tecelagem, ourivesaria e sapataria.
Essa união permitiu reinterpretar códigos históricos da CHANEL sem abrir mão da sofisticação técnica que caracteriza a Maison há mais de um século.
A riqueza dos detalhes
Os acessórios ganharam papel fundamental na narrativa criada por Blazy. Minaudières metálicas inspiradas em personagens dos contos de fadas substituíram temporariamente as tradicionais bolsas de aba, enquanto colares sobrepostos, cintos de correntes e aplicações em ouro e pérolas ampliavam a sensação de fantasia.


Os icônicos scarpins bicolores também receberam uma nova interpretação, surgindo em materiais transparentes e enriquecidos com detalhes que remetiam a ovos, feijões e elementos botânicos, estabelecendo um diálogo constante entre o cotidiano e o imaginário.
Ao longo da coleção, camélias, espinhos, folhas e trepadeiras apareceram reinterpretados em bordados tridimensionais e aplicações delicadas, demonstrando a capacidade dos ateliês de transformar símbolos clássicos da CHANEL em novas formas de expressão.


Um final que rompe tradições
A maior surpresa ficou reservada para o encerramento do desfile. Tradicionalmente, a Alta-Costura da CHANEL termina com um vestido de noiva. Matthieu Blazy decidiu romper essa convenção. A noiva surgiu alguns looks antes do final, usando um vestido de renda de cintura baixa, véu e delicados sapatos de tela.
A escolha não foi casual. Como explicou o estilista, esse não seria o conto de fadas de Gabrielle Chanel, que nunca se casou.
Em seu lugar, a última imagem da coleção foi dedicada àquela que talvez seja a criação mais revolucionária da fundadora da Maison: o eterno vestido preto.
Mais do que encerrar um desfile, Matthieu Blazy encerrou uma narrativa. Em vez de recorrer ao final tradicional dos contos de fadas, preferiu celebrar a independência, a liberdade criativa e o legado de uma mulher que transformou sua própria história em uma das maiores referências da moda mundial.
É justamente nesse equilíbrio entre imaginação, técnica e identidade que a coleção Haute Couture Outono-Inverno 2026/2027 reafirma a capacidade da CHANEL de reinventar seus próprios códigos sem perder a essência que a tornou um ícone do luxo.
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