Arquitetura comercial de luxo transforma experiência da Animale no Rio
A moda tem ampliado sua presença para além da roupa. Em desfiles, showrooms e ativações, o espaço passou a ocupar papel central na construção de experiências, criando percursos, atmosferas e narrativas capazes de traduzir visualmente o universo de uma coleção.
Nesse movimento, a arquitetura deixa de atuar como cenário e passa a funcionar como linguagem de marca, reforçando movimentos ligados à arquitetura comercial de luxo e à experiência de marca no varejo.
Essa aproximação entre moda e arquitetura aparece no projeto assinado por Pedro Coimbra para Animale e Animale Jeans, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Inspirada pelo conceito de florestania, a cenografia propõe uma experiência imersiva que aproxima natureza, design brasileiro e percurso expositivo em uma leitura sensível do espaço, criando uma experiência imersiva no varejo de moda. Fotos: Tiago Morena

Florestania inspira percurso sensorial da cenografia
O conceito de florestania, ligado à relação harmônica entre ser humano e natureza, orienta a construção dos ambientes.
Em vez de uma composição estática, Pedro desenvolve um percurso vivo, com linhas orgânicas, volumes suaves e elementos naturais que conduzem o olhar e o deslocamento do público.
A proposta convida a desacelerar, observar e perceber a coleção dentro de uma paisagem construída, em sintonia com conceitos de arquitetura experiencial e arquitetura sensorial no varejo.

No espaço da Animale Jeans, a linguagem aparece de forma neutra e precisa. Tons suaves criam uma base elegante para que estampas, texturas e modelagens ganhem presença.
A arquitetura atua como moldura sensível para a moda, equilibrando conforto visual, funcionalidade e atmosfera contemporânea, características presentes no design brasileiro contemporâneo aplicado ao varejo premium.

Design brasileiro contemporâneo reforça identidade do projeto
Na área dedicada à Animale, a natureza assume protagonismo. O paisagismo envolve o percurso e se aproxima das araras de roupas, criando uma integração direta entre produto e ambiente.
A experiência se torna menos expositiva e mais sensorial, com a coleção inserida em uma composição que valoriza matéria, luz e movimento, aproximando o projeto de referências ligadas ao design biofílico em lojas.

“O nosso objetivo foi criar um percurso vivo, em que as pessoas sentem, observam e interagem com o espaço”, afirma Pedro Coimbra.
A cenografia valoriza ainda o design brasileiro, com uma seleção de peças emblemáticas que reforçam a narrativa do projeto.
Entre os destaques estão a poltrona Mole, o banco Mocho e a poltrona Leve Oscar, de Sérgio Rodrigues, além da mesa Pétala, de Jorge Zalszupin.
A composição dialoga com criações contemporâneas, como a cadeira Iaiá e a poltrona Bernardo, do Atelier Gustavo Bittencourt, aproximando diferentes gerações do mobiliário nacional e fortalecendo o diálogo entre arquitetura e moda no Brasil.
Arquitetura experiencial aproxima moda, natureza e varejo
Tapetes, obras de arte e iluminação completam a experiência. A luz valoriza texturas, marca percursos e cria camadas visuais que reforçam a ideia de movimento.
Os elementos naturais, por sua vez, aproximam a cenografia de uma paisagem sensorial, em que moda, arquitetura e design se encontram de forma orgânica.

Em um momento em que marcas buscam experiências com identidade e presença, projetos como esse apontam para uma mudança importante: o espaço deixou de ser suporte para se tornar parte ativa da mensagem.
Na moda, a arquitetura veste a coleção, conduz o público e transforma o contato com a marca em memória, ampliando também o potencial de ativação de marca de luxo dentro do varejo contemporâneo.





