Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
São Paulo-SP, Brasil

Vitrine de uma boutique de luxo com dois vestidos de festa e elementos de mármore ao fundo
Marcas de luxo reavaliam novidade, valor e permanência
Audi A2 e-tron durante inspeção final no túnel de luz
Produção em Ingolstadt com foco em inteligência artificial
Fachada do Vista Mare com vista para o mar em Itajaí
Vista Mare em Itajaí, SC, acumula valorização de 130%
Avião Cessna executivo estacionado em solo em visão angular
Empresa reúne gestão, fretamento, táxi-aéreo e propriedade compartilhada

Turismo esportivo impulsiona o aluguel de temporada

Maratonas criam novos fluxos de viajantes e alteram ocupação, diárias e oportunidades no mercado imobiliário

Publicidade

Como o turismo esportivo transforma o mercado de aluguel de temporada


O boom global das maratonas mudou o comportamento do viajante de turismo esportivo. E está mudando, em silêncio, o mercado de aluguel de temporada.

Eu corro. Não por performance, corro pra pensar. Foi numa dessas voltas que me dei conta de uma coisa que os números da minha empresa vinham repetindo havia meses.

Corredor de turismo esportivo na rua durante atividade de corrida em ambiente urbano
A corrida passou a influenciar também os fluxos de viajantes e a demanda por hospedagem nas cidades

O mundo virou uma pista. O turismo esportivo cresce dentro de uma economia do bem-estar que chegou a 6,8 trilhões de dólares, e o turismo de bem-estar, sozinho, passou de 1 trilhão em 2024, com crescimento de quase 14% em um único ano.

As maratonas viraram indústria: as cinquenta maiores do planeta movimentaram 5,2 bilhões de dólares em impacto econômico só em 2024.

Nova York teve 55 mil pessoas cruzando a linha de chegada. Paris, quase 57 mil. Mais da metade dessas pessoas corria uma maratona pela primeira vez.


O novo viajante do turismo esportivo nas provas de rua

No Brasil, a conta é parecida. Já somos 15 milhões de corredores, e o número de provas cresceu 85% em um ano. Esses números contam a história de um viajante diferente, impulsionado pelo turismo de corrida.

Ele não escolhe o destino pela praia, escolhe pela largada. Marca a passagem em função de uma data no calendário, chega uns dias antes e gasta tudo na cidade, da hospedagem ao restaurante da véspera.

E raramente procura um hotel: quer uma cozinha para montar a refeição pré-prova e quer estar a dez minutos do ponto de partida.

Suíte com cama de casal e grandes janelas com vista para o exterior promove experiencias ao turismo esportivo
Para o corredor que viaja, localização, conforto e estrutura podem pesar mais do que os atributos tradicionais de uma hospedagem


Eventos alteram ocupação e diárias

Foi aí que fui olhar os nossos dados do mercado de aluguel de temporada. Peguei as cinco maiores provas do país e cruzei com a ocupação e a diária dos imóveis compactos de cada cidade, nas três últimas edições de cada uma. Comparei o fim de semana da corrida com os fins de semana anterior e seguinte.

Três corredoras do turismo esportivo seguram cartazes da Seazone durante uma ação relacionada à corrida
Os dados analisados relacionam o calendário das provas ao desempenho de imóveis compactos no aluguel de temporada

O padrão apareceu limpo. No Rio de Janeiro, junho é baixa temporada. Na semana da Maratona, a ocupação dos studios sai de 55% e vai a 83%, com a diária média na cidade subindo 15% e chegando a R$ 331.

Em Porto Alegre, o salto é parecido. Na São Silvestre, com São Paulo esvaziada entre o Natal e o Ano Novo, a ocupação sobe mais da metade. Uma prova de rua faz, num fim de semana, o que a alta temporada leva meses pra construir.

Dois corredores participam de uma prova de rua durante a noite
As provas podem criar picos de demanda em períodos que normalmente apresentam menor ocupação nas cidades

Mas o dado que mais me interessa é o que contraria a tese. Em São Paulo, na maratona de abril, a cidade enche de corredores e a diária não se mexe.

A explicação é simples: abril, em São Paulo, já é cheio. Evento não inventa preço onde a demanda já existe. Ele inventa preço onde o fim de semana seria vazio. Essa distinção separa quem lê o mercado de quem só torce por ele.


O calendário de eventos como dado de precificação

Para quem pensa em investimento em aluguel de temporada, a leitura é direta. O calendário de eventos de uma cidade virou um dado de precificação, tão relevante quanto a localização ou a metragem.

Cada grande prova é um pico de alta temporada plantado no meio da baixa, e quem captura esse pico não é o hotel, com a diária travada e o quarto padrão.

Grupo de corredores reunidos em uma praia antes de uma prova
O crescimento das maratonas transformou a corrida em um fenômeno esportivo com impacto crescente sobre o turismo

É o aluguel de temporada, que ajusta o preço em tempo real e entrega o apartamento inteiro para um grupo de amigos que veio correr junto, ou o studio para o casal de namorados que treina junto.

O metro quadrado que rende, aprendi olhando a performance de cada anúncio, quase nunca é só o mais bonito. É também o que está no caminho de quem se move. E, cada vez mais, as pessoas se movem correndo.

Fontes: Global Wellness Institute (economia do bem-estar US$ 6,8 tri; turismo de bem-estar US$ 1 tri, +13,8%); Brand Finance (US$ 5,2 bi das 50 maiores maratonas, 2024); Running USA / World Athletics (Nova York 55 mil concluintes; Paris ~57 mil). Dados de ocupação e diária: Seazone (mercado Airbnb, imóveis compactos, média das 3 edições mais recentes de cada prova).


Sobre Mônica Medeiros

Mônica Medeiros é co-fundadora da Seazone, advogada, mestre em Direito pela UFSC e palestrante em eventos de real estate e investimentos.

www.seazone.com.br


Veja mais:

Publicidade

ASSINE A NOSSA NEWSLETTER

As principais notícias em sua caixa de entrada

Publicidade

Publicidade